Diário As Beiras – “A nossa investigação tem que ser uma investigação útil para as empresas”

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OITeCons apoia a indústria em áreas que vão muito além da construção. Que áreas são essas?
Temos várias áreas de conhecimento que estão representadas e que acabam por ser desenvolvidas em redor de quatro áreas temáticas: a construção, a energia, o ambiente e a sustentabilidade. O conhecimento é cada vez mais interdisciplinar e, por isso, temos aqui um conjunto de técnicos e de investigadores de muitas áreas. Somos quase 100 pessoas neste momento.

Como foi o início do ITeCons?
O ITeCons foi criado em 2006 com o intuito de permitir a expansão das atividades desenvolvidas no Laboratório de Construções do Departamento de Engenharia Civil da FCTUC. Erámos um grupo de três, além do conjunto de pessoas que tínhamos no grupo de investigação. Na altura, decidimos criar uma instituição independente da universidade – independente em termos administrativos, em termos de execução, em termos contabilísticos – e com o objetivo de criar um conjunto de espaços e de devolvermos um conjunto de laboratórios. Acreditávamos que uma coisinha pequenina nos resolveria o problema. Mas não foi assim. O ITeCons foi crescendo e, neste momento, estamos a acabar o terceiro edifício.

Quando será inaugurado o terceiro edifício?
Não tenho ainda datas para a inauguração. Já estamos na fase de começar a montar novos equipamentos. Se tudo correr bem, vamos acabar de o equipar em junho deste ano. Só depois disso é que será inaugurado.

O que é que este edifício traz de novo? Porque é que foi necessário?
Foi necessário, sobretudo, porque vamos ter novas áreas de desenvolvimento. A indústria – com quem sempre trabalhámos – tem-nos colocado um conjunto de desafios. E não são só as empresas em si que nos desafiam: é o próprio conhecimento nacional e internacional que nos move. E o que acontece é que, neste momento, é já uma evidência que temos aqui, cada vez mais, uma necessidade absoluta de nos adaptar àquilo que são as alterações climáticas, de criar cenários muito mais exigentes. Com aquele edifício vamos ter condições de realizar, em diferentes áreas, ensaios em situações muito mais exigentes em termos de temperatura, em termos de humidade, em termos de condições de carga, etc. É a isso que vamos tentar responder.
Vamos também tentar olhar para outras áreas, nomeadamente áreas que estão ligadas à química e à microbiologia, etc. Ao longo deste anos, e fruto do trabalho que fomos tendo, acabámos por desenvolver áreas que nunca pensámos desenvolver.

São áreas já mais afastadas daquilo que é a engenharia civil, que esteve na base do Itecons. A que se deve esse alargamento?
Este alargamento é fruto, primeiro, da grande crise que tivemos há alguns anos na construção civil, o que nos obrigou a olhar para outras áreas. E não só: é que todas elas, na realidade, são áreas muito interdisciplinares. É muito difícil saber onde é que acaba uma área e começa a outra. Por isso, olhamos para o desenvolvimento de soluções em vários domínios. Temos muitos exemplos de trabalho que fomos fazendo. De tal forma que muitas vezes, ao chegar ao mercado, vemos soluções que foram desenvolvidas dentro do ITeCons.

Esse é talvez o maior reconhecimento.
É muito grato começar a ver coisas que têm a nossa assinatura, que têm o nosso conhecimento. Isso é muito importante. Eu diria que a obra que acabou por se notar mais no ano passado, a que foi mais emblemática, foi a Ponte de Arouca. A ponte foi projetada por nós e os ensaios foram feitos no ITeCons. Foram feitos muitos modelos numéricos. As pessoas não têm ideia da quantidade de trabalho que ali está em termos de modelação, em termos desenvolvimento de novos modelos que tiveram que ser feitos para análise da ponte. O próprio formato e o desenho do projeto – ou seja, o projeto – é da casa. Quem desenhou a ponte foi o engenheiro Filipe Bandeira. Não significa que não tenhamos outros projetos muito interessantes. Temos. Mas este foi aquele que ganhou uma notoriedade muito grande em termos nacionais e internacionais.

Quantos projetos têm neste momento em curso?
Temos vários projetos: neste momento temos acima de 30 projetos, em simultâneo, em curso.

Qual é a percentagem de doutorados no ITeCons?
Temos cerca de 35% doutorados. E depois, a maior parte, são mestres. Incentivamos muito que as pessoas desenvolvam o seu currículo académico e, por isso, temos um conjunto de colegas que estão a desenvolver os doutoramentos no âmbito de projetos. A nossa grande preocupação é a investigação aplicada. Ou seja, a nossa investigação tem que ser uma investigação útil para que as empresas venham cá. As empresas querem resultados, não querem estar à espera. Por isso, temos que ter a capacidade de ir tendo resultados e de responder àquilo que são as preocupações e os desafios que nos são colocados pela própria indústria.

Em 17 anos, o ITeCons cresceu muito. Como gostaria de encontrar o ITeCons daqui a 10 anos?
Faço votos que continue a crescer e que tenha a capacidade de ser reconhecida em termos nacionais e em termos internacionais, que as pessoas olhem para esta instituição como uma instituição que se esforça para produzir este resultado de excelência.

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