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China aproxima-se da Rússia nos debates da ONU sobre a Ucrânia

A China demonstrou, sexta-feira, no primeiro debate do ano no Conselho de Segurança da ONU dedicado à Ucrânia, que a sua posição aproxima-se da da Rússia, apesar de o embaixador chinês a ter definido como “objetiva e imparcial”.

No debate de sexta-feira, cuja mera realização foi posta em causa pelo embaixador russo, foram mais uma vez reveladas as posições incompatíveis da Rússia, por um lado, e dos países ocidentais, por outro.

A China, que desde o início da invasão da Ucrânia em fevereiro passado tentou manter uma relativa equidistância, apresentou hoje argumentos que coincidem, com ligeiras alterações, com os de Moscovo.

O embaixador chinês na ONU, Zhang Jung, afirmou que a guerra é “o resultado de desequilíbrios de segurança de longa data na Europa” e que esses desequilíbrios precisam de “uma solução política”.

No entanto, alertou, nem a política de sanções nem o fornecimento de armas aos combatentes são um bom caminho, pois “vão tornar as coisas mais difíceis”, palavras que suponham uma crítica velada às políticas escolhidas pelos países europeus e os Estados Unidos para apoiar a Ucrânia.

Zhang Jung acrescentou que o cessar-fogo de 36 horas decretado pelo presidente russo, Vladimir Putin, durante o último Natal ortodoxo – rejeitado pela Ucrânia – era o caminho certo a certo a seguir e defendeu medidas semelhantes, se possível por mais tempo.

O último argumento que o embaixador expressou para demonstrar o seu apoio a Moscovo foi pedir que, dentro da aplicação dos Acordos do Mar Negro, “os obstáculos às exportações russas” de amoníaco e fertilizantes fossem levantados, o que, segundo a Rússia, está a demonstrar que esses acordos estão a ser implementados parcialmente apenas a favor da Ucrânia.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.952 civis mortos e 11.144 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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