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Teatro da Rainha abre temporada com criações sobre violência e guerra

“É, de uma maneira geral, um ano em que se vai falar de violência”, disse hoje à agência Lusa o encenador Fernando Mora Ramos, antecipando a programação da companhia, que este ano se foca na “reflexão sobre a guerra”.

A programação da companhia, que será apresentada no sábado na Sala Estúdio do Teatro da Rainha, arranca com “Ajax Regresso(s)”, peça com base num texto inédito de Jean-Pierre Sarrazac, construído a partir dos acontecimentos na guerra da Bósnia.

“A opção de o fazer hoje tem a ver com duas razões principais: uma porque é uma espécie de ‘requiem’ de uma oratória do ponto de vista teatral, dramático, que é uma experimentação cénica”, e outra, por ser, segundo Mora Ramos, “uma espécie de luto, falando do processo da guerra e de como é que depois de tanta violência a vida pode reemergir, ou não”.

O ano que arranca com uma peça que, falando da Bósnia, convida a uma reflexão sobre a atual guerra na Ucrânia, terminará não apenas com a edição desta peça, mas também de “Antigonick”, da escritora canadiana Anne Carson, um texto que “fala sobre a violência tirânica do poder absoluto”.

“Este fim e início de temporada são também um regresso à Grécia que, por estranho que pareça, continua a ser a nossa ideia de futuro, porque foram eles que inventaram a democracia”, que, segundo Mora Ramos, “está sempre em causa, não é um regime consolidado”, sendo possível ver “por todo o lado as autocracias e as tiranias a exercerem poderes”.

Pelo meio, a companhia regressa ao pai do teatro português, numa experiência que junta “Prantos, lamentos, loas e pregões”, de Gil Vicente, a “SNS”, um texto do autor residente Henrique Bento Fialho.

Resultante de um laboratório de escrita, que durará quatro anos e que deverá resultar em quatro peças, esta, denominada “SNS”, será a primeira a subir ao palco, num diálogo entre dois tempos.

De acordo com a informação disponibilizada pela companhia, a peça “põe em cena uma montagem de textos vicentinos que inclui fragmentos de ‘Breve Sumário da História de Deus’, ‘Farelos’, ‘Parda’ e ‘São Martinho'” e a peça de Henrique Bento Fialho “inspirada na figura de Martinho e no Livro do Compromisso da Rainha Dona Leonor, texto fundamental sobre as origens do Serviço Nacional de Saúde”, que se encontra esgotado e que o Teatro da Rainha pretende também editar.

No que respeita a acolhimentos pela sala Estúdio do Teatro da Rainha passarão, em 2023, nove peças de outras companhias.

São elas: “Laços”, de Daniel Keene, pela companhia Baal17; “Taco a Taco”, de Kieran Hurley e Gary McNair, pelos Artistas Unidos; “Molly Sweeney”, de Brian Friel, pelo Teatro das Beiras; “Lisístrata”, de Aristófanes, pelo Teatro Noroeste; “A Bela Adormecida”, de Fernando Gomes, pela Teatroesfera; “Espécies Lázaro”, de Vanessa Sotelo, pelo Art’Imagem; “A Festa”, de Spiro Scimone, pela companhia Dois; “Por Detrás da Oliveira”, de João Pedro Azul, pela Cabe Cave, e “Music–Hall, de Jean-Luc Lagarce, pela Companhia de Teatro de Almada.

Na música, destaque para “Imagem Retrospetiva”, com António de Sousa Dias e Susana de Sousa Dias, uma produção da Miso Music que completa os acolhimentos previstos para este ano.

No ciclo de poesia “Diga 33” a companhia tem agendadas sessões para todos os meses do ano (com exceção de julho e agosto), das quais o encenador destaca um colóquio sobre o poeta Armando Silva Carvalho (que residiu em Óbidos) e um recital de poesia erótica, a partir da seleção de Natália Correia na “Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica”.

O Teatro da Rainha dá ainda este ano “um passo novo” na relação com o Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, onde a companhia “era visita esporádica e passa a ser parceiro semi-residente”, no âmbito de um protocolo em que a companhia apresentará os seus espetáculos nos dois auditórios deste equipamento e será parceira em coproduções e realização de ciclos ou exposições de pintura e fotografia, explicou Mora Ramos.

Fora de portas mantêm-se em 2023 as digressões de “Police Machine”, de Joseph Danan, e “O discurso sobre o filho da puta”, de Alberto Pimenta.

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