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Opinião: Oqáca

“O que há cá” tornou-se em “oqáca” e diz-se de modo democrático. “O que há lá” já é “oqalá” e explica a prateleira em frente. “Só tenho oqali” explica as falhas de mercadoria que encontramos na loja do Henrique. “Estou-me nas tintas” é agora “toumacagar”. “Vãopó “ já explica de modo eloquente uma força de expressão do norte que contrapõe o poder.

“Comigo não contam”, diz o mau funcionário público a quem não vigiam as funções, mas como ganha pouco protesta mais que os outros, protegido por leis que lhe permitem arrastar-se por corredores sem ser despedido. Reparem que a maioria dos maus funcionários é um dos cancros da administração pública. Por cada um precisamos de mais outro que faça as suas tarefas.

Quando eu não cumpro, o trabalho não desaparece, ele soma-se às funções de outra pessoa. Os maus funcionários só servem “oqáli”, e não procuram soluções. Normalmente, esta gente que dá mau nome a todos, foi colocada com apoio. Empregados com favor de alguém, com cunha imerecida. Eles são os que tem emprego, mas não têm trabalho. Mal se encontram com salário fixo, férias pagas, doença apoiada, iniciam-se no “toumacagar” que é um processo da família do “toudebaixa” e esta malta vive décadas a empobrecer o bom nome dos que trabalham e se esmeram.

O maior problema dos maus sobra para os bons e esse é o erro das lideranças políticas por vez das lideranças com autoridade. Perdemos dois: o “vãopo” e o que está farto de ver o preguiçoso, o esquivo, o sinuoso. Mais grave é a liderança premiar “o cunha” em vez do esforçado. “O cunha”, da família dos nepotismos, dos favores, dos enquadrados, é um tipo que vive do Portugal dos jeitinhos, dos “tomaládácá”, dos que “sabem agradecer”.

“A perpetuação de indecisos no poder, de funcionários dos partidos nos locais de decisão, a ausência de sustentação das carreiras e sua verificação levam estes “cunhas” e “vãopó” a ganharem espaço e a sobrelotarem as instituições de gente “tassacagar””

No momento actual, a Função Pública com maiúscula é uma lição de vida, uma opção ideológica, um acreditar que o Estado nos faz falta e nos deve apoiar na educação, saúde, justiça, segurança, defesa nacional. As decisões do Estado afetam de modo imperial as vidas de todos, e os seus bons funcionários fazem uma enorme diferença.

A perpetuação de indecisos no poder, de funcionários dos partidos nos locais de decisão, a ausência de sustentação das carreiras e sua verificação levam estes “cunhas” e “vãopó” a ganharem espaço e a sobrelotarem as instituições de gente “tassacagar”. Eu defendo lideranças com autoridade que se demitem se abusam do poder, mas defendo um exercício do poder apoiado por menos formalismos legais, mais bom senso, mais carreirismo e sobretudo não gosto que se mudem estratégias a cada legislatura.

Portugal carece de menos leis, menos administração pública, menos funcionários públicos, menos impostos para manter esta massa insana de “toudebaixas” e tãossacagar” . O Estado que defendo é eficiente, eficaz, premeia quem trabalha mais e melhor e é liderado por gente escolhida da experiência de vida, dos sucessos que demonstrou nas suas actividades. Só nisto é que sou um nortenho fervoroso: Vão pó!

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