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Opinião: Pão, peixe, carne ou socialismo

Se se concretizar a visita do Presidente Marcelo à África do Sul este ano, o chefe de Estado português vai encontrar um país semelhante ao seu com uma prolongada estagnação económica, crise de desemprego, degradação de infraestruturas, serviços públicos, escolas, hospitais, e refém de uma galopante captura socialista do Estado pela grande corrupção pública.

Os sul-africanos começaram este 2023 como terminaram o ano anterior: Às escuras. São já mais de 12 horas por dia sem eletricidade com apagões intercalados de 4 horas, estando o colapso do Estado por “um fio” na África do Sul democrática.

Em apenas quase três décadas de governação consecutiva desta economia industrializada, em coligação com o Partido Comunista sul-africano (SACP) e a maior confederação sindical no país, a COSATU, o ANC Governante conseguiu criar um novo exército de pobres – 18.2 milhões de pessoas viviam em 2022 em extrema pobreza com menos de $1 por dia -; permitir a atual espiral de violência de criminalidade intolerável, com mais de 7.000 homicídios e 4.000 raptos reportados nos três meses de julho a setembro do ano passado, e arrastar para o colapso técnico e financeiro todas as grandes empresas públicas que funcionavam como um relógio suíço, como era o caso da agora endividada Eskom, que fornece 90% da eletricidade do país, e foi a mais eficiente do mundo.

“Cancelam o financiamento, garantem que as coisas não funcionam, as pessoas ficam com raiva e depois privatizam, vendem por uma ninharia. É nesse sentido que estamos a caminhar neste momento”, explicou Pali Lehohla, ex-responsável da Agência Nacional de Estatística da África do Sul, referindo-se à atuação dos governantes ‘empresários’ socialistas.

Após quatros anos de investigação da comissão de inquérito Zondo, o Governo sul-africano estimou que a captura do Estado pela grande corrupção pública do ANC, nos 10 anos de mandato do ex-presidente Jacob Zuma, custou ao país cerca de 500 mil milhões de rands ( 29,3 mil milhões de euros). Claro que o “antes” e o “depois” serão outras tantas quinhentas para os nossos filhos e netos contarem.

Não é de admirar que a anarquia socialista liderada pelo PM António Costa espelhe o “modus operandi” que desde 1994 caracteriza a governação do Congresso Nacional Africano (ANC), na África do Sul.

Olhando também para os países vizinhos fracassados a norte – Moçambique, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue – para sermos castigados a contemplar modelos económicos socialistas, consegue-se antever o destino que se está a trilhar com o ‘NDR – National Democratic Revolution’, o pilar das políticas do ANC Governante.

O Presidente Ramaphosa, atual líder reeleito do ANC, antigo líder sindical que em 2018 tinha já acumulado uma fortuna de 6 mil milhões de rands ( 329,8 milhões de euros), segundo a Forbes, insiste que é um “socialista comprometido” e no seu discurso de comemoração do centenário de Mandela fez até questão de o sublinhar. Todavia, Ramaphosa não aludiu ao conselho que Mandela recebeu da China, em Davos, quarenta e tal anos depois, de que uma economia socialista seria um desastre.

Cem anos depois, a Teoria do Imperialismo de Lenin, de 1917, é a base do atual plano de governação ‘NDR’ do ANC Governante na África do Sul, parceiro do PS na Internacional Socialista.

O problema com o NDR e o comunismo que o inventou é que falhou onde quer que tenha sido praticado, escreveu a investigadora do Instituto de Relações Raciais (IRR) da África do Sul, Sara Gon. “A União Soviética durou tanto tempo por causa das suas vastas reservas de petróleo e gás. Quando inevitavelmente entrou em colapso, o mesmo aconteceu com o NDR. Desapareceu”, vincou.

Será que Portugal e a África do Sul democrática aguentam mais 12 meses de desgoverno às escuras?
A luta continua.

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