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SPAC repudia “tentativa de coação e assédio” da Comissão Executiva da TAP

Face às declarações da Comissão Executiva da TAP, que considerou que a concentração de trabalhadores à entrada das instalações da companhia aérea, em Lisboa, na sexta-feira, constituiu “um ilícito disciplinar” que “não mais se deve repetir”, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) apontou o dedo à administração, que “parece não ter ainda entendido que não pode continuar a esmagar as condições de trabalho dos funcionários e simultaneamente melhorar e beneficiar outros”.

“A administração parece não ter ainda entendido que não pode continuar a esmagar as condições de trabalho dos funcionários e simultaneamente melhorar e beneficiar outros que, em contornos ainda por esclarecer, saem da empresa com indemnizações, ou outros ainda que se veem compensados por, no momento de ainda alegada situação económica difícil, não lhes terem sido melhoradas algumas regalias”, lançou a entidade, em comunicado, referindo-se ao caso da ex-secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis, que terá recebido uma indemnização de 500 mil euros para sair antecipadamente, em fevereiro, do cargo de administradora executiva da transportadora aérea.

Além de recordar que “as manifestações são um direito consagrado e não podem ser impedidas”, salientando que os protestos “podem ter como consequência o condicionamento temporário da mobilidade de outros”, o SPAC apontou ainda que a administração da TAP proibiu, “num passado recente, a realização de plenários a este sindicato”, e “tentou impedir, sem sucesso, que os pilotos, após uma histórica manifestação, se concentrassem em silêncio em frente ao Edifício 25, onde tem os seus gabinetes”.

Depois das sucessivas confusões e polémicas perpetradas por esta administração, a mesma insiste na falta de sensibilidade para gerir a enorme insatisfação que reina entre os trabalhadores”, disse, complementando que “a administração não entendeu ainda como apaziguar o estado de espírito dos seus funcionários, optando por, em sentido contrário, exacerbar o seu descontentamento ao vir, em tom de ameaça, tentar limitar os direitos dos trabalhadores à manifestação e ao protesto ordeiro”.

Ainda que a manifestação não tenha contado com a participação do SPAC, o organismo realçou que “ela resulta da organização espontânea de trabalhadores que cada vez menos se reveem na sua administração e cada vez menos acreditam nas suas opções de gestão, dadas as enormes dualidades de critério que usam para os diferentes níveis de decisão”, justificando que “este sindicato não aceita nem compactua com atitudes prepotentes e intimidatórias por parte de quem tem vindo a denegrir o bom nome da nossa companhia e devia estar preocupada, sim, em a gerir melhor”.

Nessa linha, a entidade assegurou que “apoiará sempre todos os trabalhadores nas suas legítimas lutas e muito em especial os seus colegas da TAP Portugal”, repudiando “a tentativa de coação e assédio constantes da referida comunicação”.

“O SPAC tem mantido um caminho de diálogo com vista à obtenção futura de mais resultados benéficos quer para os seus pilotos, quer para a TAP. Instamos, assim, a administração a que não queira agora enveredar por uma atitude ameaçadora para com quem se encontra já fragilizado. Não nos obriguem a mudar de rumo”, desafiou.

De notar que, na sexta-feira, mais de uma centena de trabalhadores da TAP estiveram concentrados na entrada das instalações da companhia aérea para exigir a demissão da administração, naquela que foi uma manifestação silenciosa, por vezes interrompido por assobios, onde tentaram também impedir a saída de alguns veículos.

Na mensagem transmitida entre trabalhadores, a que a Lusa teve acesso, os funcionários da companhia aérea foram chamados a manifestar-se de forma “pacífica e silenciosa”, durante a hora de almoço.

Em reação ao protesto, a Comissão Executiva da TAP reconheceu que “o direito à liberdade de expressão e o direito de manifestação fazem parte da cultura da TAP”, considerando, contudo, que devem “ser exercidos nos termos da lei e sem pôr em causa a liberdade de terceiros”.

“O normal funcionamento da empresa e a liberdade de circulação dos trabalhadores e colaboradores da TAP não podem ser postos em causa, pelo que, caso um acontecimento desta natureza volte a ocorrer, a TAP ver-se-á na contingência de ter de defender, nos termos da lei, a liberdade de circulação dos trabalhadores que não se manifestam”, acrescentou.

Leia Também: Concentração de trabalhadores da TAP “constitui ilícito disciplinar”

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