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Rui Rocha quer Costa irritado com os liberais e diz já não ver um Governo

Em entrevista à agência Lusa, o deputado e dirigente Rui Rocha – que disputa no próximo fim de semana a presidência da IL com Carla Castro e José Cardoso – é muito crítico do PS e de António Costa, acusa o PSD de “falta de comparência” na oposição e, sem querer “entrar em nenhum tipo de guerrilha institucional”, reitera as críticas deixadas na moção à intervenção do Presidente da República.

Para o candidato a líder liberal, é preciso “um partido forte, robusto e ágil para fazer o combate político” porque aquilo que “de facto irrita o primeiro-ministro, António Costa”, são as ideias, as propostas e “capacidade de desafiar e de fazer oposição inteligente” da IL.

“Nós queremos liderar a oposição, queremos que António Costa continue a estar muito irritado com a Iniciativa Liberal, afirma, considerando, no entanto, que a forma com que o primeiro-ministro se refere aos liberais contribui “para degradar o debate político” e “não são expressões adequadas” de um chefe de executivo.

Considerando que a IL “é a única força política neste momento que apresenta, de facto, uma proposta de sociedade e de economia completamente diferente”, Rui Rocha não consegue ver estratégia subjacente “a um Governo em implosão”.

“Vejo uma tentativa de ir gerindo como se pode, gerindo as crises internas. Na verdade, já não vejo propriamente um Governo nesta altura”, atira.

À pergunta sobre o que é que vê então, o liberal é perentório: “Vejo sobretudo gente a tratar da sua vida. Vejo as lutas internas do PS, as agendas internas do PS a sobreporem-se a qualquer visão para o país e qualquer capacidade de governação”.

Para Rui Rocha, a IL lidera a oposição, desde logo por “falta de comparência” do PSD, que “já assumiu que durante o ano 2023 está com falta de comparência na oposição” e que se vai “preparar para 2024”.

“O que eu espero é que o PSD esteja, em algum momento, também em condições de fazer o seu trabalho de casa como a Iniciativa Liberal fará seguramente”, desafia, assegurando que a IL continuará o seu caminho sem olhar para “o lado nem para trás”.

Questionado sobre as críticas deixadas na moção de estratégia a Marcelo Rebelo de Sousa — é “conivente com a degradação das instituições democráticas” – o candidato a presidente da IL deixa claro que não quer “entrar em nenhum tipo de guerrilha institucional” com a Presidência da República.

Apesar de parecer que “há agora uma evolução da posição”, para Rui Rocha, o Presidente da República teve ao longo dos anos “uma intervenção no debate político que não ajudou a credibilizar as instituições” porque “interveio em alturas em que eventualmente não devia” e se pronunciou sobre temas que valorizam “pouco a própria função presidencial”.

“E, por outro lado, em algumas circunstâncias, talvez devesse ter, não publicamente, não estou a falar de intervenções públicas, mas com o seu magistério de influência, deveria ter traçado algumas linhas ao primeiro-ministro que não deveriam ter sido ultrapassadas”, critica.

Sendo o chefe de Estado “um ator muito importante no cenário político”, Rui Rocha entende que “deveria ser claro na moção de estratégia” porque é importante que “os membros conheçam a visão do candidato a presidente do partido relativamente não só a parte interna, mas também a tudo aquilo que é o cenário político”.

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