encenador-diz-que-confinamento-influenciou-‘a-tragedia-de-macbeth’

Encenador diz que confinamento influenciou ‘A tragédia de Macbeth’

‘A tragédia de Macbeth’, que se estreia na quarta-feira, em Lisboa, não estava incluída na programação inicial da companhia residente do Centro de Artes de Lisboa (CAL). Mas “o sentido de monologar interessou-me também nesse sentido”, no contexto dos confinamentos provocados pela pandemia de covid-19, justificou Bruno Bravo em entrevista à agência Lusa, sobre esta tragédia de Shakespeare de que gosta “imensíssimo” e na qual “o pensamento acaba por ser tudo o que ocorre”.

“Do ponto de vista psicológico é um fator determinante nesta peça do Shakespeare”, o pensamento, uma peça que Bruno Bravo considera “muito moderna, já que se centra também na luta pelo poder”.

“O texto dialoga connosco e coloca-nos questões da atualidade e dos dias que virão a seguir à atualidade”, prossegue o encenador, “e espero que o espetáculo também reflita isso, porque tem uma dimensão humana muito grande”.

Esta peça, sublinha Bruno Bravo, “é também uma espécie da condição humana naquilo que é o desejo, o que é o mal, o que são os pensamentos mais sombrios que todos temos e tentamos esconder”.

Em termos plásticos, e apesar de os figurinos fazerem uma referência à época, numa opção de trabalhar uma opção que não seja mais moderna ou contemporânea, Bruno Bravo afirmou ter insistido em compor Macbeth como “um guerreiro medieval, que pensa com o corpo”.

“Uma figura contrária ao Hamlet e que, ao nível dos figurinos, propõe um tempo mais recuado”, embora o espaço cénico seja “um pouco mais abstrato”. “Pode ser mais mental, já que o cenário não comporta uma ideia realista”.

Além da luta pelo poder, esta tragédia de Shakespeare encerra também conflitos entre motivos cristãos, pagãos e a ideia de culpa.

“É como se um homem que está habituado a matar na guerra, descrito como um guerreiro implacável”, depois, quando o crime está fora do campo de batalha, acaba por enfrentar outras implicações. “No caso do Macbeth, essas implicações fazem com que entre numa vertigem constante entre a culpa, a insegurança e, ao mesmo tempo, não abdica de continuar, de executar quem tem que executar, enquanto a mulher, lady Macbeth, não aguenta isso e chega a uma altura em que enlouquece”.

“Apesar da aparente frieza que há no início da peça, esta acaba por carregar bastante sentimento, porque são eles próprios que se destroem”.

António Mortágua (Macbeth) e Mónica Garnel (lady Macbeth) protagonizam, que conta também com interpretação de Diogo Mazur, Mafalda Jarra e Natacha Esteves.

Encenada e adaptada por Bruno Bravo, ‘A tragédia de Macbeth’ tem sonoplastia e música original de Sérgio Delgado, desenho de luz de Alexandre Costa, e cenografia e figurinos de Stéphane Alberto.

‘A tragédia de Macbeth’ estreia-se na quarta-feira e vai ficar em cena no CAL até dia 28, com récitas de terça-feira a sábado, às 21:30.

Leia Também: Teatro São João estreia novos espetáculos de Cardoso, Carinhas e Pais

Seja sempre o primeiro a saber.
Sétimo ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download

Compartilhe nas redes sociais

Benvindo(a) à Radio Manchete. 📻

Ouvir 📻
X