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O esquecimento da classe média

Os próximos anos vão ser muito difíceis. O aumento das despesas com as necessidades básicas vai ser brutal e nunca acompanhado de aumentos salariais. Chama-se a isto empobrecimento.

Uma das minhas preocupações é o sufoco financeiro das classes média e média/baixa. Que vão ter mais dificuldades do que famílias que têm grandes apoios sociais, seja na habitação seja na educação.

Quem tem um rendimento muito baixo, já tem o apoio do Estado e até lida bem com isso. Há muitos esquemas de camuflagem de rendimentos para se ter apoios. Isso não se passa com a classe média remediada, que tem de lidar com os custos da luz, do crédito à habitação, dos preços dos alimentos, a educação dos filhos, etc….

Nós, políticos e autarcas, temos que ter uma grande atenção às famílias consideradas da classe média, que são o motor da sociedade, e que estão a sofrer um grande empobrecimento. Se por razões de apoio social isentarmos de pagamento todos os que reúnem condições para isso, alguém tem de pagar.

O resultado é uma sobrecarga dos custos sobre a classe média remediada. Seja sob a forma de impostos, de tarifas, de taxas, de preços, etc. Uma política de apoios sociais tem de ser analisada caso a caso. Até porque as autarquias também vão ter de fazer muitas contas e tomar decisões difíceis.

Um exemplo: a tarifa dos resíduos. A Câmara de Santa Maria da Feira gasta anualmente cerca de 1,2 milhões de euros com a deposição dos resíduos no aterro da Suldouro. Com o novo tarifário, imposto pelo Governo, a conta vai subir este ano para mais de quatro milhões de euros, mais de 300% de aumento, dos quais 1,2 milhões de euros são impostos e taxas.

Fiz uma reclamação à ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, a dar nota que não concordava com aqueles tarifários. Mas a separação de resíduos com recolha porta a porta, têm custos astronómicos e que vão aumentar a tarifa, que será imputada aos munícipes.

Estão a ver o que é que isto representa em termos de orçamentos municipais e das famílias? Isto é uma realidade que nos está a bater a todos e que vai bater à porta das famílias, perante a total indiferença do Governo.

* Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira

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