Graça Freitas condecorada por Marcelo, ″muito grata″ e sem ″arrependimentos″

A diretora-geral de Saúde recebeu, esta terça-feira, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, condecoração atribuída pelo presidente da República. Graça Freitas disse estar “muito orgulhosa” com a distinção, revelando não ter quaisquer “arrependimentos” quanto ao seu papel durante a pandemia. “Posso ter cometido alguns erros, mas nunca houve intenção de fazer mal”, afirmou. Marcelo Rebelo de Sousa expressou um “agradecimento” em nome do país.

“Esta condecoração é uma honra e um privilégio que o sr. presidente da República me quis conceder. Estou muito grata”, afirmou a ainda líder da Direção-Geral da Saúde, que já manifestou a intenção de deixar o cargo em breve. Esta terça-feira mostrou-se, contudo, disponível para continuar no cargo até ser encontrado um sucessor, lembrando que a decisão de a substituir cabe ao ministro da Saúde.

Em Belém, Graça Freitas revelou que “não estava à espera” de receber o prémio. “Fiz o meu papel enquanto diretora-geral, numa época absolutamente excecional para a vida coletiva do nosso país. Fi-lo porque fazia parte das minhas funções”, explicou.

Dizendo sair com a sensação de dever cumprido, a diretora-geral da Saúde fez questão de partilhar o prémio com os colegas da DGS, os médicos de saúde pública e “os profissionais de saúde em geral”. Também reservou uma palavra para todos os portugueses, sem os quais “nada teria sido feito”.

“Acho que nós, como povo, fizemos todos o nosso papel. Estamos hoje, três anos após ter começado a pandemia, com as nossas vidas equilibradas do ponto de vista sanitário, social e económico”, vincou Graça Freitas, evocando os “grandes desafios” que “superámos todos juntos”.

“Transmiti o que a Ciência me transmitia”

Questionada sobre algumas polémicas que protagonizou, a diretora-geral da Saúde sublinhou que, nos primeiros tempos da pandemia, a DGS se deparou com dois grandes desafios: por um lado, “a rapidez com que os acontecimentos se sucederam”e, por outro, o “grau de incerteza” então existente.

“A Ciência tem um tempo e esse tempo é demorado. Fui transmitindo, a cada dia e a cada momento, o que a Ciência me transmitia”, justificou. “Numa altura em que o desconhecimento era muito grande, não foi possível transmitir sempre, se calhar, a mensagem mais acertada. Mas era o que nós, na altura, sabíamos”, acrescentou.

Ainda assim, Graça Freitas garante não ter arrependimentos ao olhar para trás. “Arrependimento implica que tenha havido dolo, propósito, vontade de fazer mal, e isso não aconteceu. Posso ter cometido alguns erros, ter sido menos feliz em alguns dias, mas nunca houve intenção de fazer mal”, referiu a condecorada.

Na sexta-feira, em entrevista ao “Expresso”, Graça Freitas revelou ter sentido “ausência de defesa” durante a pandemia. Em Belém, frisou que tudo o que viveu “faz parte do cargo” que ocupa, embora reiterando que houve dias em que se sentiu “um bocadinho mais cansada”.

“Passou a ser um elemento das famílias portuguesas”, disse Marcelo

Na cerimónia, o presidente da República reconheceu a Graça Freitas “uma capacidade para tudo aguentar quase sem limite”. Com as comunicações diárias dos números da pandemia, esta “passou a ser um elemento de todas as famílias portuguesas”, afirmou.

“No momento em que se avizinha a sua saída da Função Pública, que não a sua saída da memória de todos nós, porque mesmo aqueles que a criticaram imenso, ou aproveitaram para fazer sobre si rábulas humorísticas, ou fizeram recair sobre si as suas indignações ou os seus cansaços, todos reconhecem que, no momento crucial, estava lá. Nunca se negou a dar a cara e isso tem de ser reconhecido”, declarou Marcelo.

“É por isso que vou entregar-lhe as insígnias da grã-cruz da Ordem do Mérito, como agradecimento de Portugal, dos portugueses, todos eles, por uma dedicação à causa pública de muitos anos, mas, sobretudo, uma dedicação em dois anos que valeram por uma eternidade”, completou.

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