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Presidente da Impresa defende concentração no setor dos ‘media’

“Se faz sentido haver tantos grupos de media em Portugal? Acho que não. […] Devia haver maior consolidação”, afirmou Francisco Pedro Balsemão, no almoço-debate do International Club of Portugal, em Lisboa, respondendo a perguntas da plateia.

Já à margem do evento, em resposta à Lusa, Francisco Pedro Balsemão disse que falou da consolidação “em termos teóricos”: “Um país como o nosso, com a nossa dimensão, e sem nada em mente no grupo Imprensa, tem um mercado com demasiados grupos de ‘media’ e está sujeito a consolidação”, explicou.

Já na intervenção, o gestor tinha referido que também é necessária mais colaboração entre operadores em Portugal, por exemplo, para criação de plataformas comuns de conteúdos que façam face às grandes plataformas internacionais, as quais têm “dimensão e capacidade de investimento” que não existem em Portugal.

Sobre os resultados de 2022, questionado pela Lusa, Francisco Pedro Balsemão não quis dar informação, referindo que as contas ainda não estão fechadas.

Em 2021, a Impresa teve lucros de 12,6 milhões de euros, no melhor ano desde 2007. Já no primeiro semestre de 2022 teve prejuízos de 2,2 milhões de euros, que comparam com lucros de 3,3 milhões de euros no mesmo semestre de 2021.

Ainda na intervenção como orador no almoço-debate do International Club of Portugal, em Lisboa, o presidente executivo da Impresa falou na necessidade de aumentar as receitas com a área digital, ainda que referindo que os canais generalistas continuam a ser fortes em Portugal e 50% do investimento publicitário em Portugal é para televisão (generalista e cabo).

Em resposta à Lusa, disse que o plano que a Impresa apresentará para o triénio 2023 a 2026 terá como uma das linhas estratégicas triplicar receitas do digital (seja em publicidade seja em assinaturas do digital).

Um dos temas mais comum nas perguntas foi a atração dos jovens, que maioritariamente não leem jornais de modo tradicional e veem menos televisão. Francisco Pedro Balsemão disse que nas empresas do grupo há projetos dedicados a atrair as faixas etárias mais jovens e considerou que na forma de consumir conteúdos o futuro será de complementaridade, referindo que a mesma pessoa num dia quer escolher o que quer ver numa plataforma e no outro dia quer confiar num canal e na série ou no filme que esse canal transmite.

Quanto à pirataria, disse que significa uma perda de “milhões e milhões de euros por ano”.

Sobre aumentos salariais este ano na Impressa, à Lusa, Francisco Pedro Balsemão respondeu apenas que as negociações estão em curso sem adiantar mais.

Segundo informações a que a Lusa teve acesso, para trabalhadores da SIC e Impressa Publishing, a administração propôs aumento do subsídio de alimentação e atualização salarial para quem ganha até 2.000 euros (3,5% entre 1.000 e 1.249 euros, 3% entre 1.250 e 1.499, 2,5% entre 1.500 e 1.749 e 2% entre 1.750 e 2.000 euros).

Em plenário realizado em dezembro, os trabalhadores da SIC consideraram os valores “insuficientes e injustos”, admitiram formas de luta e exigiram atualização para todos os funcionários (atualização acima da inflação acumulada do ano para ordenados inferiores a 2.000 euros, atualização de 5,1% para ordenados entre 2.000 e 3.000 euros e atualizações entre 1 e 3% para ordenados superiores a 3.000 euros).

Leia Também: Canais SIC passam a integrar plataforma de publicidade segmentada Playce

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