Ministra só soube da conta arrestada depois da tomada de posse de Carla Alves

A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, garantiu, esta quarta-feira, que só soube que a antiga secretária de Estado Carla Alves tinha uma conta bancária arrestada depois da tomada de posse e através da Comunicação Social.

“Apenas soube da conta arrestada já depois da tomada de posse e através da Comunicação Social”. Foi essa a garantia deixada, esta quarta-feira, pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, durante uma audição parlamentar, a pedido do Chega, do PSD e da IL.

A ministra está a ser ouvida para prestar esclarecimentos a propósito da nomeação da ex-diretora regional de Agricultura e Pescas do Norte, Carla Alves, para o lugar de Rui Martinho na Secretaria de Estado da Agricultura. Recorde-se que Carla Alves aguentou 26 horas no Governo, acabando por pedir a demissão, na sequência de notícias que revelavam que tinha uma conta conjunta com o marido, o ex-autarca de Vinhais, Américo Pereira, que foi arrestada devido a suspeitas de corrupção com base na existência de 600 mil euros não declarados.

“É uma situação ultrapassada”, começou por dizer a ministra, explicando que Rui Martinho tinha solicitado, por diversas vezes, para sair do Governo, devido a problemas de saúde. Maria do Céu Antunes garantiu que, olhando para o currículo de Carla Alves, considerou que teria o “perfil” adequado: “Escolhi alguém que tecnicamente me pudesse ajudar a dar continuidade às políticas e, claramente, o currículo da engenheira Carla Alves e o reconhecimento da sua experiência pelos agricultores, associações e confederações. Todos eram favoráveis a esta pessoa. Autarcas de todas as forças políticas, confederações, associações e agricultores reconheciam a sua competência e perfil de grande proximidade ao setor”.

A ministra acrescentou que a nomeação de Carla Alves, em 2018, para a Direção-Regional já tinha passado pelo crivo da Cresap (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública) e do Tribunal Constitucional, para onde foi mandada a declaração de rendimentos, conforme dita a lei.

“Perguntei se tinha condições para assegurar o lugar, por viver, por exemplo, em Trás-os-Montes, e questionei se tinha algum processo. Disse que não tinha nenhum, que havia um processo, sim, mas que envolvia o marido, quando era autarca e que não tinha implicações com ela”, revelou a ministra da Agricultura.

Segundo Maria do Céu Antunes, só depois da tomada de posse, foi confrontada “por um órgão de Comunicação Social que falava em contas arrestadas”.

“Perguntei, uma vez mais, e o que nos foi dito é que era um processo do marido e que havia uma conta, onde o casal depositava os salários, e que essa conta tinha tudo declarado”, contou a ministra.

Maria do Céu Antunes revelou ainda que, no dia seguinte, quando soube da notícia do Correio da Manhã, colocou o seu gabinete e o do primeiro-ministro a questionar, de novo, Carla Reis.

“Chegou-se à conclusão de que havia um processo com Américo Pereira, que diz respeito às suas funções como autarca, que é acusado pelo Ministério Público mas que o Ministério Público não acusou Carla Reis. A conta foi arrestada por ser conjunta. Em momento nenhum, Carla Reis foi arguida. Em momento nenhum, foi acusada”, vincou a ministra da Agricultura, explicando que foi com base nessa informação que o primeiro-ministro, António Costa, apoiou a manutenção de Carla Reis no Governo, durante um debate parlamentar.

“A avaliação política foi feita pela própria, no final dessa quinta-feira”, sublinhou ainda Maria do Céu Antunes, afirmando: “Aceitei, de imediato, respeitando a sua opção”.

A ministra revelou ainda que, nesse dia, pelas 21 horas, foi confrontada pelo Jornal Público com a informação de que teria tido conhecimento da situação com a conta arrestada. “Dissemos claramente que não tínhamos conhecimento. Isso não foi publicado e emitimos um comunicado no dia 6. De facto, não tínhamos conhecimento de qualquer processo judicial que envolvesse Carla Alves. Apenas soube da conta arrestada já depois da tomada de posse e através da Comunicação Social”, rematou Maria do Céu Antunes.

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