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Navio-museu Gil Eannes recebe mais de 1,2 milhões de visitas em 25 anos

Na obra, de 185 páginas, que vai ser apresentada no dia em que se cumpre um quarto de século desde o regresso da 15.ª construção dos extintos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) à cidade, o antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo relata “os episódios mais relevantes da campanha de resgate do Gil Eannes e as primeiras etapas da sua reabilitação e transformação num museu vivo”.

Em declarações à agência Lusa, o médico aposentado de 77 anos, afirmou que o que “mais” o “exaltou” durante o processo de resgate do navio, em 1997, “foi a colaboração das pessoas, das escolas, das empresas”.

“Toda a gente deu a sua contribuição para que se juntassem os 50 mil contos [250 mil euros] que o sucateiro pedia pelo navio”, montante recolhido “em apenas quatro meses”.

Há anos retirado da política, Defensor Moura conta como convenceu o então primeiro-ministro António Guterres a “ajudar a salvar o Gil Eannes”.

“Um dia que fui a Lisboa e me encontrei com ele, disse-lhe, meio a sério, meio a brincar, que se tinha salvado as gravuras de Foz Coa, tinha de salvar o Gil Eannes”, contou.

O então primeiro-ministro “instruiu” o seu chefe de gabinete, Luís Patrão, a “estimular as empresas públicas” a participar na missão de resgate.

No livro, Defensor Moura, explica as razões que o levaram a resgatar o navio, “apesar de muitos” o chamarem de “lunático” por considerarem que “seria mais um elefante branco que só daria despesas ao município”.

“Considerei desde a primeira hora que o emblemático navio hospital seria uma enorme mais-valia para Viana do Castelo, como um verdadeiro museu vivo da nossa história marítima”, conta no livro.

A comprovar que estava certo, adiantou, está o número de visitantes que o navio-museu recebeu em 25 anos, tendo sido, em 2008 o principal cenário da longa-metragem ‘O Assalto ao Santa Maria’ e, em 2009, palco do filme ‘O Cônsul de Bordéus’. Em 2016, a bordo do navio-hospital estreou a peça de teatro “Anjo Branco”, inspirada na obra de Bernardo Santareno que, durante dois anos, foi médico psiquiatra no navio.

“Visitaram o Gil Eannes 1.206.500 pessoas. Sobretudo portugueses, mas também espanhóis, ingleses, franceses e alemães”, apontou Defensor Moura que integra a Fundação criada para gerir o navio-museu que abriu ao público em agosto de 1998.

A construção número 15 dos extintos ENVC “começou em dezembro de 1952, a flutuação em março de 1995 e a entrega ao armador no dia 03 de maio, tendo um custo de 32.768 contos, mais 8.322 contos do que o montante que constava do contrato inicial”.

Em 1955, quando integrou a frota bacalhoeira prestava assistência a 70 navios e a cerca de 4.900 homens.

A “complexa construção” foi importante para “o desenvolvimento das capacidades dos ENVC e para a própria evolução da construção naval na segunda metade do século XX”.

O navio representou um “salto tecnológico” para a empresa vianense face à “complexidade das instalações e da própria maquinaria com que foi apetrechado” o também conhecido por Anjo Branco.

As visitas ao navio consistem na passagem pela ponte de comando, cozinhas, padaria ou pela casa das máquinas, mas também pelo consultório médico, sala de tratamentos, gabinetes de radiologia e bloco operatório.

A bordo existe ainda um simulador que permite navegar, virtualmente, a saída da barra de Viana do Castelo.

O navio está ainda dotado de um percurso museológico e interpretativo sobre a cultura marítima de Viana do Castelo e de um Centro de Documentação Marítima.

A Câmara de Viana do Castelo vai assinalar os 25 anos do regresso do Gil Eannes com o lançamento de um “Álbum dos Navios da Pesca do Bacalhau” e a abertura da exposição “Viagem de Fé”.

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